Os três G's da minha vida: Grande, gordo e gay. E aqui eu vou escrever o que geralmente não posso expor em outros lugares, como o facebook (pelos meus clientes) ou twitter (pela falta de caractere). Até agora são 27 anos de vida carregam muita raiva e muitas dúvidas, muita mágoa, recalque, bebida, vícios e problemas e o contrário também. No fim, todo mundo quer se sentir especial, né?
domingo, 15 de julho de 2012
Pequenas ofensas mascaradas
Deixa eu só começar contando uma coisa sobre o meu dia. Eu acordei de extremo bom humor, satisfeito com o rumo que a vida está me levando, me esforçando para ser uma pessoa melhor...
Até que fiz um comentário. Uma pessoa postou no facebook aquela imagem das quatro maçãs que mudaram o mundo, e em baixo deuma delas estava o nome de Steve Jobs, obviamente, falei para brincar, descontrair e comentei: "Fulano, não sabia que você era um macfag". E recebi a mensagem via inbox minutos depois:
- Eu gostaria que você me esclarecesse o seu comentário."
Bom, para quem não está familiarizado com expressão, é como se a pessoa fosse um "gay da apple" uma "vadia da apple", ou seja, um fã, alucinado, geralmente. Mas o problema não foi esse, depois que expliquei a expressão para ele, ele fez o seguinte comentário:
"É que FAG significa viado em inglês"
Duas coisas aí me ofenderam, primeiro ele achar que eu não sei o que eu estou falando e segundo, o tom. A colocação de palavras que ele usou. E para fechar com chave de ouro:
"Não tenho preconceito... mas não é legal um amigo me chamar de gay, escrevendo algo do gênero "essa me assustou".
Agora eu vou te falar o que me assustou nesse pequeno diálogo, ver que um cara, um professor, músico, um cara que conhece o mundo, mascarar preconceito e ainda se sentir ofendido.Nunca fui de fazer militância, mas viver no interior, tem me deixado cada vez mais frustrado em relação ao comportamento das pessoas e a preocupação delas com a sexualidade alheia.
Esse comentário desenha uma normatividade que é simplesmente ofensiva para ele ser chamado de gay, quando a intenção, a primeiro momento, nem foi essa. E não deveria nem ser considerado ofensa, ser confundido por gay, ou chamado assim.
Eu fui me ofendendo conforme a conversa progrediu, e isso culminou no que eu ando fazendo bastante, eu não posso denegrir a minha imagem ou começar a militar com todos os meus clientes quando eles fazem algum comentário homofóbico (como uma vez cheguei a ouvir de um deles para não fazer nada 'muito gay') - mas isso é assunto para depois, que eu preciso discorrer também.
O que me incomoda, de verdade, é que se os cultos, se os supostamente evoluídos espiritualmente e mentalmente tem esse comportamento, imagina o resto? Viver e oferecer amor ao próximo é difícil, quando a minha percepção é de que o preconceito está enraizado intrinsecamente nas pessoas.
O bom e velho lobo em pele de cordeiro. E com isso, com essa conversa, meu dia ficou cinza. E me fez questionar o motivo de tentar mudar algo, se eu vivo cercado por pessoas assim.
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